Os dias se passavam e a canção soltava-se aos ouvidos,
estancavam-se à eles. John enlouquecia de certa forma tentadora e seus sonhos
não eram mais sonhos. A depressão lhe invadia a face. A música se tornava
trilha sonora de filmes de terror, de cenas de amor e de pesadelos reais.
Ideias subliminares invadiam a canção antes suave. Ele lutava com o sofrimento
ao mesmo tempo em que matava a si próprio, não sentia dores de um corpo solene.
Ele era apenas uma borboleta querendo voar em um mundo musical; sem vida
espiritual.
O sangue invadia sua face celestial e seus olhos azuis
cobalto não realçam mais o calor de sua pele gélida, pálida. O vermelho tornou-se
eterno e seus pés curvos tornaram-se essenciais. O prédio de onze andares o
ajudava – pulou. Agora era uma borboleta, talvez uma águia pronta a debruçar-se
sobre um animal indefeso. Isso tudo não passa apenas de uma plena cadeia
alimentar, onde apenas o forte sobrevive. Alimente-me.
"Desisto do mundo, desisto das palavras e desisto do amor. Aquele que me partiu a carne em pedaços, retirando o único órgão que ainda batia no meu eu e podia ter algo a trazer. A música pode ser a alma para trazer tudo à vida. Trago-te em um papel, o das listas dos próximos mortos que lhe trago – você é a primeira da lista. Eu apenas desisto da vida, em todas as letras que podem sair de meus lábios agora, eu apenas digo um adeus rouco e sem voz interna. Desisto."— Incognição.
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