quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

— E você, trabalha com o que?
— Sou escritora.
— Ah, isso todo mundo faz. Também escrevo, muitos documentos da empresa.
— Não, você não compreendeu.
— Sorriu ela, olhando para baixo. E ele encucado com a situação, respondeu-lhe:
— Como não? Me disse que é escritora, e respondi que eu também escrevo.
— Você escreve, eu sou escritora.
— Você está brincando comigo? Escrever e ser escritor é a mesma coisa.
— Meu caro, repare bem como são coisas distintas. Eu sou escritora, escritora no livro da vida, escritora das entrelinhas, escritora dos sentimentos renegados, dos amores recíprocos, das hipocrisias, das flores murchas, das cores claras. Escritora.
Ele fez uma cara de deboche. Mas, ela não exitou e continuou:
— Você, um homem que escreve. Todos nós podemos ser alfabetizados e ter o dom de escrever – Ela sorriu. – Mas, poucos e sábios os que buscam, na alma, palavras. Que transformam sentimentos, paisagens, pessoas, vidas. Em textos. Que não exitam em calar o mundo com suas palavras. Esses, podemos considerar escritores natos. O fato não é escrever, é se entregar as palavras.
Ele olhou para ela, levantou da cadeira e partiu. Sabendo que tudo que ela disse era sensato, mas, não quis assumir o erro.
Sophia Germano.