domingo, 27 de maio de 2012

Medo de si próprio.

As batidas de seu coração não se encontravam em sintonia com seus passos, era algo tão relativo e irrisório. O arfar percorria o seu corpo e lhe puxava para dentro de uma cúpula deserta – vazia. Era como um fim certo e duvidoso; errado. Equilibrado.
As gotículas de suor fraquejavam sobre o curto cabelo de escovinha, revirado de vários ângulos. Iluminado por pequenos fios roliços e negros, era como o fim de sua alma estar ali.
Sua visão enquadrada à luzes sem fim, juntamente com as cores dançantes por sobre suas pálpebras. 
O terror lhe invadia a tez frágil, tornando-o lânguido por alma. Vago. Fazendo dos sons seu pior inimigo, aquele latido transformava-se em um uivo pequeno, alto e perto. Em segundos, como se aquilo estivesse alcançando-o, quisesse matá-lo e repicar sua face. Ele sentia medo, pânico... Dor.
Seus pés adormeciam lentamente, teimando em parar para apossasse do corpo miúdo do menino e debatesse no chão, enquanto o peso lhe fraquejava as pernas ossudas. 
Os óculos embaçados eram acertados à cada um segundo, eu podia contar. Ele corria em círculos em seu pequeno quarto e diversas vezes ele debatia-se à parede, como um obstáculo no qual ele pudesse ultrapassar. Como se ele fosse um cego que só pudesse ver o negrume da noite. Parecia um doente sem imagem, mas era apenas um zumbi adormecido; um eterno sonhador em pleno caos de pesadelo. 
E eu, apenas um escritor revirando páginas de um livro esquecido – deitado nas sombras e com medo do sol. Com medo da alma; com medo de um certo uivo ao entardecer. Um menino cegueira, preso em seus pensamentos absortos.
Posso esquivar-me ao sol para ver além dele? Seguindo a rota das estrelas e o posicionar da lua, ao lado oeste.

Incognição.

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