sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Dois anos.

Queria que o passado ainda estivesse preso em meu futuro; queria poder segurar a farda que eu carreguei desde o início, mas eu não queria usá-la; queria poder dizer que tudo fora apenas um sonho acordado; queria dizer que os gritos e choros foram apenas um engano sonoro; queria que a terra caindo fosse apenas uma miragem. Queria poder dizer adeus àquele momento e continuar. Normalmente. Sorrindo e imaginando como seria o dia seguinte, sem ter o medo preso em meu coração. Queria flutuar, assim como as borboletas, antigamente, ainda faziam ao meu redor.
O sorriso estampado nas faces absortas e as lágrimas só servindo de fuga para a tristeza, apenas demonstrando a felicidade exposta sobre os corações arrebatadores.
Nesse momento, talvez o monótono fosse necessário. O que acha de retornarmos ao passado e trazer o clichê de volta? Será que tudo voltaria ao normal? Eu espero.
Brancos, negros, pobres, ricos, diferentes, iguais e felizes - todos iguais. Honestidade sem máscaras e tudo trago ao redor; tudo muito dividido.
Agora eu gostaria apenas de ver os olhos daquela criança brilhando, seus pensamentos imaginários trazendo os "porquês" e seus dentes-de-leite ainda à amostra. Aquelas lágrimas não podiam permanecer em sua face de boneco, poderíamos rir juntos.
Não quero seguir o diferente, apenas necessito do passado de volta. Preciso resgatar a felicidade e dispensar as horas extras feitas pela morte e pela tristeza. Seguir em frente e não olhar os estragos. Denunciar o errado e seguir o certo. Poder ajudar quem não pode fugir, todos somos vítimas, mas por dentro apenas alguns podem sentir a dor que posso possuir, junto com outras pessoas. Será mesmo que aquele ser invisível mostra seu sorriso e está bem? Quero tudo como era antes, eliminar a desgraça e costurar meu coração de volta ao local de onde ele partiu-se. Parece que ele não quer retornar.
Incognição.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Meu futuro anjo da guarda.

As lágrimas já conhecem todo o trajeto que você alcançou em minha face e as coisas ao meu redor tendem a te ter por perto e imaginar cada sorriso bobo que você dava para mim nas horas mais difíceis ou então das palavras que você soltava quando estava bravo com o que fazia.
Olho as suas fotos e lembro de cada momento, minhas memórias de criança voltaram à tona.
Neste momento desejava não brigar com você e queria que as últimas palavras que lembro de você não sejam só as brigas, quero que eu enxergue as palavras que usou enquanto pensava em mim, enquanto lutava com a morte. Em toda parte que ando sinto seu cheiro – aquele aroma que eu sempre amei e dizia que queria para mim, que dava vontade de morder você por isso. Seus abraços fortes eu ainda consigo sentir, tenho a certeza de que seu coração ainda bate ao meu lado, em alma, mas bate em sintonia com o meu.
Tenho a certeza que você está chorando por nós e quer tanto falar que está tudo bem, que nenhuma lágrima deveria ser solta por minha face. Porém, não dá. Sinto minhas pernas frágeis e minha voz trêmula.
Eu não queria estar assim. Queria poder sorrir e não ter teimado o quão vivo você ainda está, mas já é tarde, a terra te arrastou como uma semente de girassol e, por enquanto, eu sou o sol que te fortalece, mas logo, você será o sol e eu o girassol frágil e que arrepende-se muito de não ter dito o quanto te amava antes de partir, já que sei que você disse, ou pensou, isso antes de tudo.
Sei o quanto mudou para me fazer feliz e eu não pude mudar nada – só piorei. Sinto-me uma idiota orgulhosa.
Somos tão iguais que a saudade bate e fica. Olho meu reflexo no espelho e te vejo ali – tendendo à sentir meus olhos lacrimejarem e as silhuetas embaçadas ao meu redor. Sinto suas palavras grossas e sinceras, seu espírito de coragem em salvar quem salvou.
Transformou sua vida em pó para salvar outra vida – você deu seu ar pelos outros e salvou um bebê. Você é o meu herói. Deixou o orgulho em mim e a saudade. Só não me conforto em saber que não está mais comigo, por que os dois não viveram? Eu sentia que você era imortal, o meu eterno super-homem invensível – de pulsos de ferro. Sinto a dor que sentiu enquanto quilos de tijolos jogaram-se contra você e imagino o quanto você pensou em mim antes de partir. O quanto pediu por nossas vidas. Teimando em que sejamos felizes. Isso é quase impossível, mas eu farei de tudo pelo meu eterno campeão. Juro que tentarei ser o mais forte possível, mas não prometo que não desabarei em uma data em que você era o especial. Em meus natais olharei o céu e lembrarei que nós contávamos as estrelas; meus dias dos pais e seu aniversário serão horríveis, estarei encolhida em minha cama e as lágrimas com certeza irão rolar sem tempo de término.
Tentarei não chorar mais de cem mil litros por dia (você, mais do que ninguém, sabe o quão dramática posso ser), pode brigar comigo se eu passar – Isso me reconfortará tanto.
Seus choros agora se tornarão mudos já que está ao lado de quem chorava, mas tenho a certeza de que estarão fortes ao pé de meu ouvido. Sinto o colo de sua avó te confortando e as lágrimas unidas.
Tenho a certeza de que você ouve meus pedidos e está sorrindo por ter conseguido.
A sensação é tão horrível, quero tanto te ver e queria que minha esperança de te ter vivo, depois de encontrado, tivesse dado certo. Eu prometi que se tivesse vivo eu te agarraria e nunca mais te soltaria. Nunca mais. Apareça e torne meu sonho realidade, por mais que seja só em alma.
Aceito a sua visita todas as noites em meu quarto.
Olhe por mim, olhe por todos. Seja meu anjo da guarda, pai. Eu lhe imploro.
Diga-me: Por que as últimas lágrimas demoram tanto para sarar, papai? Por quê? Cure minhas lágrimas? Apareça para mim todas as noites e me faça dormir com suas mãos de anjo salvador?
Eu o amo e a dor nunca se apagará.
Erga suas asas e voe como um passarinho. Porém, peço que olhe por mim e mostre-me como está, acredito que isso não seja tão egoísta.
Incognição. (Quase dois anos atrás)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As vezes eu penso: a gente briga pra ter paz; a gente chora pra poder sorrir; a gente grita, as vezes, porque a gente quer que as pessoas ouçam o que a gente canta; a gente vive pelos que se foram, a gente morre pelos que ainda estão aqui. E eu sinto que as vezes a gente precisa dar de cara com o muro mesmo, a gente precisa ver no horizonte o fim da linha, até que um auge e desespero a gente apalpa a nossas próprias costas e vê nelas um surgimento de um par de asas. É nessa hora que a gente percebe que enquanto a gente acreditar nisso tudo que a gente faz, colocar cada gota do nosso sangue, nosso suor, nisso que a gente faz, e continuar fazendo isso, enquanto houverem forças, o que a gente tem nas nossas mãos, é infinito.
Não sei quem é o(a) autor(a)

TUDO CULTURAL: Fuga(z)

TUDO CULTURAL: Fuga(z): (D)escrever é uma maldição. Tenho uma péssima memória. Lembro de tudo detalhadamente. Lembro da minha última ida ao centro da cidade. L...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder.
Steve Jobs.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

“I think when it’s all over it just comes back as flashes, you know? It’s like a kaleidoscope of memories, and it just all comes back, but he never does. I think a part of me knew the second I saw him this would happen, it’s not really anything he said, or anything he did, it was the feeling that came along with it - and the crazy thing is, is I don’t know if I’m ever gonna feel that way again - but I don’t know if I should. His world moved too fast and burned too bright - but I just thought, “How can the devil be pulling you towards someone who looks so much like an angel when he smiles at you?” Maybe he knew that when he saw me. I guess I just lost my balance. I think that the worst part of it all wasn’t losing him, it was losing me.
— I knew you were trouble, Taylor Swift.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: MORRER!!!
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis.
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.
Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da vida. Perdoe... Sempre!
Pedro Bial.